No dia 25 de outubro, vote Lula

Chegamos ao segundo turno das eleições. Para nós, comunistas, este é um momento de definição tática, e num cenário já bastante preocupante com os resultados do legislativo e dos governos de estado ao redor do país, deve ser claro para nós o caminho pragmático de construir uma vitória de Lula em segundo turno. Não se trata de escolher o “menos pior” ou de acreditar em uma mudança qualitativa para nossa classe pela via institucional, mas de tentar garantir as condições mínimas para continuar a luta.

Antes, durante e depois das eleições, soubemos e sabemos que a arma da classe trabalhadora continua sendo a mesma: a organização. O momento de construir as fileiras do nosso movimento é sempre, e é papel de todo marxista-leninista construir coletivamente a consciência e a capacidade de ação da classe trabalhadora. Para mantermos condições mínimas de fazer esse trabalho, neste momento nossa posição é inequívoca: voto em Lula em segundo turno e apoio ativo a esta campanha.

Ao longo de seu segundo mandato como presidente dos EUA, Donald Trump tem deixado cada vez mais claras suas intenções com relação à América Latina e ao Brasil: trata-se de impor os interesses estadunidenses sobre os nossos recursos naturais e de mão-de-obra acima dos interesses nacionais, ameaçando de forma direta a nossa soberania. Um exemplo disso é como Trump ataca o BRICS, o bloco econômico do qual o Brasil faz parte, alegando que este seria “anti-americano”, simplesmente porque este bloco desafia a hegemonia econômica estadunidense e a posição do dólar como moeda padrão do comércio internacional.

Trump inclusive justificou a taxação de produtos de países, dentro dos Estados Unidos, com um “eles têm o BRICS”. Ou seja, países se juntando para fazer comercio entre si, se não beneficia os EUA de alguma forma, já é considerado um ataque a eles.

A candidatura de Flávio Bolsonaro representa uma ameaça direta à soberania nacional e à vida do povo trabalhador. Sua subserviência aos Estados Unidos não é um segredo; é um projeto explícito. Reportagens detalham 1 que sua equipe planeja uma "reforma do Marco Rubio" (o atual Secretário de Estado dos EUA) na política externa, tornando o Brasil menos multilateral e mais subserviente aos EUA. Ele faz questão de alardear a sua subordinação a Donald Trump, seguindo o exemplo do pai. Essa submissão significaria entregar de mão beijada nossas riquezas e nossa autonomia.

No governo Jair Bolsonaro tivemos o Brasil voltando para o mapa da fome, com mais de 7 milhões de brasileiros sem ter o que comer,  mais de 49 milhões em insegurança alimentar e 14 milhões de desempregados. Além disso, foram mais de 700 mil mortes na pandemia de Covid-19, muitas delas evitáveis com vacinação e sistema correto de prevenção de contágio, coisas as quais Jair foi ativamente contrário.

E apesar de Flávio Bolsonaro querer se vender como “um Bolsonaro moderado”, na prática ele defende as mesmas políticas de cortes de gastos públicos que seu pai defendeu, que levam a população para fome e miséria. Além disso, pesam contra Flávio denúncias2, com documentos e testemunhas, de desvio de verbas públicas de hospitais, durante a pandemia de Covid.

Assim como Jair, Flávio Bolsonaro tem todas as suas prioridades ligadas exclusivamente aos mais ricos. Ele, inclusive, tem a mesma tática de comunicação do pai, fazendo lives e construindo narrativas desconexas junto de seu eleitorado. Não há nada de moderado em Flávio, há apenas uma propaganda que não deveria convencer ninguém.

Os votos brancos, nulos, e abstenções

A diferença entre Flávio e Lula é a menor da história entre candidatos no 1º turno. São apenas 2,2 milhões de diferença entre um candidato e outro. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula (PT) teve 45,16%. Ou seja, nem mesmo 2% de distância.

Dentro desta perspectiva, é possível sim virar o jogo e Lula vencer. Como? Convencendo principalmente aqueles que não foram votar ou votaram em branco ou nulo. Neste primeiro turno de 2026 esta parcela totalizou 24,8% dos eleitores aptos.

São 39,4 milhões de eleitores que, em sua grande maioria, estão cansados, desalentados e desesperançosos com a política institucional que, na prática, parece resultar sempre na mesma coisa: muitas promessas, poucas melhoras reais na vida dos trabalhadores.

Explicar para essas pessoas, que têm motivos justos para estarem desanimadas, que o voto delas em Lula, nesse momento, pode significar não entregar o nosso país de bandeja para os EUA, não relegar uma parcela ainda maior da população à fome e ao desemprego, não dar espaço para o político que tem acusações de desvio de dinheiro de hospitais durante uma pandemia se eleger; esse é o caminho que devemos trilhar neste segundo turno.

No entanto, a luta não se encerra no dia da eleição. Independentemente de quem ganhar, nosso papel é empurrar conquistas com pressão popular, crescendo a luta pelo socialismo. Precisamos de manifestações, organização e mobilização de massas para pautar nossas demandas. A diferença fundamental é onde essa luta será travada.

É taticamente mais seguro nos organizarmos e construirmos nosso movimento sob um governo como o de Lula do que sob um governo fascista aliado de Trump. Durante o governo Bolsonaro, a resposta às manifestações foi a repressão, o alinhamento das polícias com o governo e a criminalização dos movimentos sociais. Sob um governo que não busca cotidianamente elevar as formas de repressão e estrangulamento da luta de massas a última potência em nome de ampliar a exploração da classe trabalhadora temos algum espaço para ocupar as ruas e pressionar por nossas pautas, o que será ainda mais necessário.

É possível que setores da esquerda se posicionem a favor de um voto nulo ou abstenção a troco de algum tipo de pureza ideológica. Nossa posição quanto a isso é inequívoca: não construímos uma linha esquerdista de entender que a farsa da democracia burguesa signifique que ela deva ser ignorada pela classe trabalhadora, como se fosse, portanto, inconsequente. Também não temos nenhuma ilusão aceleracionista de que um maior agravamento da situação da nossa classe contribua de alguma forma para um movimento revolucionário.

O cenário desenhado pelo primeiro turno já é de um saldo claramente negativo para os trabalhadores de nosso país e devemos juntos manter nossa classe em condições de construir sua luta. O voto no segundo turno não é um cheque em branco, mas uma escolha tática para garantir que a próxima batalha possa ser lutada.

Seguimos conscientes de que a verdadeira libertação da classe trabalhadora não virá através da via eleitoral, de bons programas de gestão do capitalismo, ou da conciliação de classes. Nosso voto e nossa posição neste momento tem o propósito claro de não entregar nossa classe mais ainda às mãos de quem nos explora, e seguir construindo um caminho verdadeiramente revolucionário.

Referências